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Supermercados: novos formatos e tendências

Observamos que na última década novos formatos de supermercado surgiram, vamos aqui falar um pouco sobre cada um destes e suas particularidades.  Começando pelos hiper e supermercados tradicionais, iremos falar sobre a explosão dos atacarejos e a nova tendência de crescimento dos mercados de bairro, com o conceito do mini-mercado. Supermercado on line e lojas focadas somente em vendas a granel estão entre as novidades do setor, ainda sem números expressivos.

Supermercado

O primeiro verdadeiro supermercado norte-americano foi criado em 1930 e hoje estas lojas são a forma absolutamente dominante de vendas a varejo nos Estados Unidos. A ideia primordial era realizar vendas em massa a preços reduzidos, dentro de uma loja ampla e vendendo pelo sistema de auto-serviço os mais variados gêneros alimentícios. Somente posteriormente foi introduzida a venda de produtos de limpeza e outros.

Diferente da rapidez de expansão que aconteceu nos EUA, no Brasil o crescimento foi lento e relata diversas histórias de falência. O primeiro supermercado realmente bem montado e completo foi o Sirva-se da Rua da Consolação, inaugurado em 1952*. Porém as feiras ainda eram os lugares onde os consumidores encontravam preços melhores e os supermercados ainda não tinham condições de concorrer com estas.

A ampliação dos tipos de produtos oferecidos, aliado a oferta de qualidade, variedade, conforto e bons serviços foram a receita para a ampliação das redes e a mudança de comportamento do consumidor.  Hoje as lojas trabalham com políticas agressivas de preço e inteligentes estratégias de promoção e exposição de produtos.

A arquitetura dos supermercados também é planejada de forma a atrair o cliente e maximizar a venda de determinados produtos, com a localização certa no layout da loja.

(ver: Layout como estratégia para melhorar os resultados – http://www.arquiteturaparalogistica.com.br/2016/06/layout-como-estrategia-para-melhorar-os-resultados)

Observamos também que os espaços dos super e hipermercados estão cada vez mais modernos, elevando o nível dos serviços de forma a promover a melhor experiência ao usuário.

A oferta de produtos gourmet e específicos para dietas especiais também é uma novidade para aumentar a atratividade dos clientes e além disso algumas lojas começaram a oferecer espaços de lanches, pizzaria  e refeições, onde o cliente pode ganhar tempo e até mesmo usufruir de bons momentos com a família.

Mercado de bairro

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Observamos recentemente o surgimento de mercados de bairro para atender os consumidores de maneira mais próxima. Como uma volta ao passado, estes começaram a demandar por locais menores, próximos de casa e que tenham bons produtos, com conforto e qualidade de atendimento.

Em busca de praticidade, comodidade e proximidade os consumidores utilizam estas lojas para compras semanais e pontuais, além de terem a possibilidade de fazer um lanche ou uma refeição rápida neste mesmo local.

Grandes redes apostaram neste modelo e abriram vários destes pequenos mercados, mas observamos também uma expansão feita por  pequenos empreendedores em busca de uma alternativa de renda. Com o avanço da crise e consequente crescimento dos números de desemprego, muitos profissionais apostam em lojas no ramo da alimentação, trazendo o conceito de proporcionar aos clientes uma experiência de compra prática e prazerosa.

Enquanto as lojas maiores das grandes redes procuram se localizar em regiões que apresentam uma grande área de influência e onde há um grande poder de compra concentrado, estes mercados caracterizam-se pela localização mais próxima do consumidor, onde estaria a padaria do bairro, por exemplo.

Os grandes estacionamentos requeridos para os hiper e supermercados, tanto por demanda dos usuários quanto para atender parâmetros de regulamentação, não são vistos nestes empreendimentos.  Muitos clientes chegam a pé ou estacionam na rua, já que a localização permite esta facilidade. O acesso da loja é convidativo e a mesma oferece um ambiente agradável e aconchegante.

O impacto de tráfego de grandes caminhões e carretas para realizar o abastecimento das grandes lojas também não é observado neste modelo, que pode ter seus espaços de depósito reduzidos e conseguem operar com veículos menores para este fim.

Atacarejo

Na vertente oposta a esta estão os atacarejos, modelo de supermercado Cash&Carry onde o consumidor consegue preços e quantidades de atacado, comprando no varejo.

Como disse Maria Beatriz Douat Dietrich em seu artigo Atacarejo: o novo top-line growth do segmento de supermercados, neste momento econômico que vivemos observamos a queda nas vendas dos tradicionais hiper e supermercados e o aumento da procura pelos atacarejos, pois com a perda de renda das famílias causada pela alta da inflação e o aumento do desemprego, os brasileiros saem em busca de descontos na hora de abastecer a despensa.

O consumidor voltou a fazer compras de mês para garantir bons preços e aproveitar descontos decorrentes da aquisição de maiores volumes, já a reposição dos produtos é feita nas lojas de vizinhança, citadas anteriormente. 

O mix de produtos destes modelos é reduzido e não oferece muitas opções de marca para escolha, mas garantem um preço competitivo, que é a proposta deste segmento.

Geralmente os atacarejos são localizados em áreas mais afastadas, onde a valorização do imóvel não impacta na viabilidade do empreendimento e também não há demanda de custos com serviços. Estacionamentos amplos e acessos bem sinalizados, aliados a uma arquitetura enxuta, com acabamentos e revestimentos simples, garantem estrutura mínima para atender o consumidor.

A operação dessas lojas se assemelha a de um Centro de Distribuição, com produtos dispostos em pallets, dispensando a necessidade grandes estoques. Instaladas em grandes galpões, o manuseio das empilhadeiras para o picking das quantidades solicitadas é realizado a qualquer hora, o que reduz custos de mão de obra.

O layout das lojas é simples, com corredores mais largos que os usuais de supermercados, já que possibilitam o trânsito interno destes equipamentos.

Supermercado online

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Apesar do avanço tecnológico o e-commerce de produtos alimentícios no Brasil ainda é pouco representativo e não são todas as redes varejistas que dispõe deste serviço.

A possibilidade de ter todas as informações do produto, poder comparar os preços e a qualidade dos mesmos são atrativos das compras online, além da comodidade de entrega em casa, evitando horas de trânsito, dificuldade de estacionar e filas para pagamento.

De outro lado os supermercados, ao realizar vendas pela internet, tem a vantagem de conseguir mais  facilmente personalizar o atendimento, pois tem muito mais informação sobre os costumes e gostos de seus clientes.

As vantagens são muitas, mas por uma questão cultural as vendas ainda não são representativas em relação as vendas feitas nos próprios estabelecimentos.

Também temos uma questão de sustentabilidade nesta proposta, pois ao realizar compras online o usuário reduz o desperdício e elimina a necessidade de armazenamento entre o centro de distribuição e o consumidor final, já que o produto sai direto do CD para a entrega final, em alguns casos. 

O supermercado online, a meu ver, será parte do cotidiano das pessoas, mudando a maneira clássica de fazer compras, é somente uma questão de tempo.

Supermercado sem embalagens

A geração de resíduos é considerada um dos maiores problemas da atualidade, fato que tem impulsionado o surgimento de iniciativas para diminuir o impacto ambiental que causa.

Uma dessas ideias veio de uma startup alemã**, que criou o conceito de supermercado sustentável, com geração de lixo zero. Os produtos são vendidos sem embalagem e o consumidor deve levar os recipientes de vidro ou sacolas reutilizáveis de casa, onde poderá colocar as compras feitas a granel. Outro benefício para o consumidor, além de colaborar com a compra ecológica, é levar a quantidade que precisa, não se limitando ao tamanho da embalagem imposta pelas indústrias.

Um dos desafios para que a iniciativa se propague é a logística destes produtos sem embalagem e o armazenamento dos mesmos, que deve ser feito em silos. Os CDs devem ser totalmente remodelados, assim como as lojas e toda a inteligência que envolve estas operações.

Por enquanto ficamos apenas com a certeza de que algo deve ser feito para mudar o panorama mundial em relação à posturas de geração de resíduos. Tendo em vista todas as consequências de uma loja neste formato percebemos que não será facilmente replicável e teremos que aguardar uma maior mobilização e interesse do poder público e dos empresários neste sentido.

Conclusão

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 .

Percebemos que cada formato de supermercado tem operações diferentes que demandam variados espaços. Saber interpretar o modelo e o que o consumidor espera encontrar em cada loja é essencial para o sucesso do negócio.

* Fonte:  Ascar&Associados

**Fonte: Ilos, Especialistas em Logística e Supply Chain

Lorena Toledo

Arquiteta e Urbanista formada pela UFMG, Especialista em Gestão de Projetos pelo IETEC e MBA em Gestão de Negócios na Construção Civil pela FGV. Experiência como coordenadora de projetos e desenvolvimento imobiliários, responsável pela regularização de empreendimentos de impacto. Atuou na elaboração de projetos de galpões e condomínios logísticos, layouts logítsicos, industriais e corporativos . São mais de 15 anos de experiência especializada na área de Arquitetura para Logística.

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